Era uma vez, Diane estava choramingando sobre querer um animal de estimação. Suas alergias fizeram com que gatos e cães ficassem fora de questão. Peixinhos dourados não podiam ser abraçados. Então o namorado de Diane, Eric, de longo tempo e longa distância, sugeriu um coelho. Diane ponderou sobre esta idéia, então foi até a Sociedade Humanitária de Toronto para ver se eles tinham algum coelhinho. Ela queria um bonito coelhinho anão, muito afeiçoado e bem comportado.
Havia coelhos no abrigo, realmente, muitos deles eram anões. Mas os olhos de Diane ficavam voltando para um coelho Holandês preto e branco, escondendo-se no fundo de sua gaiola. Diane saiu para pensar. O coelho Holandês era lindo, mas muito grande, e tão incivilizado - tinha sido um coelho de rua urbano (de verdade!), e morou no abrigo por mais de oito meses. Eles achavam que ela tinha sido maltratada. Ela não era o coelho certo.
Diane não conseguia tirar o coelho preto e branco de sua cabeça. Ela voltou mais duas vezes, e na última vez ela trouxe o Holandês para casa. O voluntário do abrigo fez Diane prometer não mudar o nome do coelho, que era Betsy. Ela disse que Betsy poderia ser um amigo maravilhoso algum dia. Foi um longo tempo, antes que Diane acreditasse nela ...
Primeiramente, Betsy não saía da gaiola, apesar de a porta ser deixada aberta. Mas depois de uns dias ela saiu. Ela foi aumentando a distância que percorria, umas poucas polegadas de cada vez, então alguns pés (1 pé = 12 polegadas) de cada vez. Diane gastou muitas horas sentada no chão próxima da gaiola, lendo livros para Betsy. Betsy algumas vezes mordiscou nas páginas, mas nunca deixou Diane tocá-la. Diane até cochilou no chão algumas vezes de forma que Betsy poderia se acostumar com ela. Mas Betsy ainda era um monstrinho, impossível de aproximação e tímido, e mortalmente temeroso das mãos humanas (talvez por ter apanhado?). Todavia, ela aceitou bem o treinamento para o uso do "litter box" (banheirinho) e passando os meses, ela explorou o apartamento inteiro. Diane estava muito orgulhosa. Betsy amou devorar livros, então Diane colocou um conjunto de livros na parte de baixo da estante somente para ela. Mas Betsy ainda era um coelhinho difícil e intratável
Não me odeie porque eu sou linda.
Logo Diane mudou-se para um novo apartamento. Este era acarpetado. Apesar de Betsy não gostar da mudança por si mesma (ela urinou Diane inteirinha) ela amou o novo lugar. Ela poderia correr! Ela estava feliz, e começou a pegar uvas-passa da mão de Diane. Ela até saiu debaixo do sofá quando havia visitas lá - por uns poucos momentos, de qualquer forma. Mas ela ainda não queria ser tocada.
Em torno de um ano e três meses depois que Betsy e Diane mudaram-se, Eric veio fazer da casa um lar de três pessoas. Betsy não estava satisfeita. Quem era aquele terceiro coelhinho? Era o último coelhinho da lista, isso era quem ele era. Betsy tornou isto bem claro. Eric seria maltratado e atacado, não seria obedecido. Então Eric decidiu que ele poderia agir como um amigo do coelhinho. Ele observou seu comportamento, e tentou ser o melhor coelho que ele poderia ser. Ele jogou os jogos dos coelhos e comunicou-se como um coelho. (Já viu um Ph.D. tentar mecher as orelhas?) Logo os dois estavam afinados. Logo depois Betsy tornou claro que Eric era seu interesse amoroso. E, maravilha das maravilhas, Betsy começou a pedir para ser acariciada, apesar de ser com os pés de Eric. Logo Diane pôde fazer carinhos com os pés também.
No outono, Eric e Diane casaram-se. (Betsy declinou comparecer, citando agorafobia) Por volta de novembro, Eric tinha começado a induzir Betsy a ser acariciada com as mãos. (Ele tinha colocado seu pé sobre seus olhos, então continuava indo com as mãos até que ela notasse). Pelo Natal, Betsy já podia vir direto até Eric, e Diane, para ser acariciada com as mãos. Ela e Diane agora se cumprimentam com o nariz regularmente. Betsy tinha se tornado um coelhinho que gosta de aconchego! O pessoal do abrigo não a reconheceria hoje.
E então Marvin veio ... mas isto já é uma outra história.
Socorro! Eu estou doente!
Betsy ajudou-nos a aprender uma outra grande vantagem de saber falar Coelhês: a habilidade de rapidamente reconhecer quando alguma coisa está errada.
Um dia Betsy não estava sendo a chatinha que ela usualmente é. Ela se escondeu em um canto escuro ao invés de estar onde pudesse manter um olho em nós, como ela usualmente prefere. Quando ficou visível, nós vimos que ela parecia alguma coisa diferente. Suas orelhas estavam estranhamente arranjadas, com uma ativamente comunicando e a outra aparentemente não fazendo muita coisa. Um exame mais próximo mostrou que sua mexida de nariz estava lenta e ela não estava movendo os bigodes do lado de sua face onde sua orelha estava quieta. Nós decidimos que ela poderia ter algum tipo de paralisia facial e marcamos uma consulta com seu veterinário para o dia seguinte.
O veterinário concordou que Betsy estava tendo algum tipo de problema. Para o caso de ter uma origem bacteriológica, ele deu-lhe um injeção de antibiótico e prescreveu um antibiótico oral (desde que isso não machuca, e coelhos podem sucumbir bem rapidamente à infecção por bactérias). Dentro de uns poucos dias, contudo, o problema revelou-se. Betsy mantinha sua cabeça de uma forma curvada, inclinada, e estava com uma forte inclinação para o lado paralisado quando estava deitada. Betsy tinha um caso claro de head-tilt (também conhecido como Torcicolo, ou pescoço retorcido), que é quase sempre associado à uma infecção interna por bactérias. Esta doença é muitas vezes fatal, porque pode avançar muito rapidamente e a bactéria usualmente responsável (Pasteurella) responde somente de forma moderada aos antibióticos. Até se for reconhecida rápido o suficiente para salvar o coelho, um tratamento de 6 meses é típico, com duas doses orais dadas à mão todo dia.
Nosso veterinário tinha nos dado a medicação certa para esta condição, e recomendou que nós continuássemos com ela. Apesar de a paralisia facial ser um sintoma acompanhante não-usual para o head-tilt, o tempo foi uma coincidência muito grande para desprezar, e a infecção bacteriana foi provavelmente a causa daquilo, também.
Durante a semana seguinte, Betsy piorou, não melhorou. Ela repousava de lado, não saía de sua gaiola, e evitou mover-se tanto quanto possível. Quando levantou para receber seus medicamentos, girava incontrolavelmente, ela estava claramente sofrendo de uma séria tontura. Nós a levamos ao veterinário novamente, e ele mudou para um novo antibiótico oral, novamente para ser dado duas vezes ao dia.
Durante as semanas que seguiram, ela continuou seu regime de duas doses diárias de antibióticos orais e a injeção semanal. Lentamente, Betsy começou a melhorar. Sua vertigem melhorou, e ela começou a ter o controle motor e dos sentidos de volta no lado prejudicado de sua face. Pelo terceiro mês depois do aparecimento dos primeiros sintomas, ela estava quase de volta ao normal. Hoje Betsy é virtualmente um novo coelho. Aparte uma muito leve inclinação da cabeça, ela está tão brincalhona a cada mordidinha, chatinha como sempre foi. De fato, ela está até mais explicitamente afetuosa do que ela era, deixa ser agarrada duas vezes ao dia talvez (que ela odiou, apesar de que nós até misturamos os medicamentos com banana amassada) não tenha sido uma coisa terrível de todo. Seu tratamento tomou metade do tempo comumente requerido, e nós o atribuímos em parte ao nosso rápido reconhecimento do problema, e à rápida reação do nosso veterinário lhe dando os antibióticos quando a infecção ainda estava em seu estágio inicial.
A lição importante: conheça e ouça seu coelho!